domingo, 22 de abril de 2012

O Meu Poema para a "Festa da Poesia de Almada"


A SCALA fez mais uma vez um caderninho de poemas, que divulgou e ofereceu aos autores no dia 21 de Março, Dia Mundial da Poesia, durante a realização da "2ª Festa da Poesia de Almada", no Salão de Festas da Incrível Almadense.

Este foi o meu poema:


beleza triste
  
Caminhas só e em silêncio,
No meio do frio e da gente
Sem soltar qualquer lamento
Muito menos o teu grito urgente.
Grito de quem é mulher-objecto
Tratada como mercadoria
E usada neste mundo masculino
Sem espaço para o sonho e fantasia.

Queres muito chegar a casa
Deixar as ruas vagabundas
Descansar de mais um dia feio
Que te deixou marcas profundas.
Um homem oferece-te uma frase batida
Porque nada esconde a tua beleza
Nem mesmo os dramas da vida
Que pintam o teu rosto de tristeza.


                                                                           Luís Milheiro






segunda-feira, 20 de fevereiro de 2012

Os Dois Novos Livros


No passado sábado foram apresentados em Almada dois novos livrinhos da minha autoria, "A Dança das Palavras" (vinte e oito histórias curtas publicadas no "Largo da Memória") e "Almoço de Poetas do Ginjal" (prosa poética...) que já estão disponíveis para todos os interessados. 

Basta entrarem em contacto através do e-mail colocado ali mesmo ao lado...

terça-feira, 31 de janeiro de 2012

Dois Novos Livros


Não lhes devo chamar livros, já que cada um deles tem apenas 32 páginas.
São dois pequenos livros, um de prosa poética, outra de histórias curtas (estas publicadas na blogosfera...).


O primeiro trata-se de uma segunda edição, revista e aumentada, que tem como título, "Almoço de Poetas no Ginjal". Quase que lhe poderia chamar um sonho escrito, em que me surgem poetas de quase todos os lados, como palavras ditas ao Tejo (palavras retiradas de poemas e livros, que falam sobre o melhor rio do mundo).


A sua apresentação será no próximo dia 18 de Fevereiro.


Esta é a capa da primeira edição.


Entretanto vou dando notícias...

domingo, 4 de dezembro de 2011

Os Livros que Não Teria Escrito se... (4)


"Cacilhas - o Comércio, a Indústria, o Turismo e o Desenvolvimento Sociocultural e Político da Localidade Ribeirinha" foi a continuação do livro que escrevi em 2007, com o meu amigo Fernando Barão.
É um livro mais completo, porque tenta complementar o que tinha sido escrito anteriormente, numa tentativa de abarcar o que de mais importante tinha ocorrido em Cacilhas, nos últimos duzentos anos. Além disso foi escrito com mais tempo, pôde respirar, ao contrário da obra anterior, escrita em meses.

De alguma forma foi o fechar de um ciclo, embora tenha consciência que Cacilhas ^continua a ser um "filão" quase inesgotável, tal foi a sua riqueza durante todo o seculo XX, especialmente no campo da indústria.

sábado, 26 de novembro de 2011

Os Livros que Não Teria Escrito se... (3)


"Cacilhas, a Gastronomia, a Pesca e as Tradições Locais", escrito novamente de parceria, com o meu amigo Fernando Barão, foi o que correu melhor, pois entendemos-nos perfeitamente e a sua construção foi bastante equilibrada.


Também acabou por ser o livro de maior sucesso na Freguesia. Logo na sessão de lançamento fomos desafiados a fazer um segundo volume...

Na primeira parte identificamos todos os restaurantes e tascas de Cacilhas, desde o século dezanove até à actualidade, oferecendo inclusive algumas receitas de caldeiradas. Na segunda historiamos a pesca e apresentamos as principais embarcações usadas no rio Tejo.

Na terceira parte, elegemos várias tradições locais, com relevo para a procissão da Nossa Senhora do Bom Sucesso.

terça-feira, 15 de novembro de 2011

Os Livros que Não Teria Escrito se... (2)


O segundo livro que escrevi sobre Cacilhas foi mais uma biografia e foi escrito novamente em parceria, com o poeta Alberto Afonso.


Não estava no meu horizonte escrever esta obra, mas houve uma série de acontecimentos que fizeram com que aceitasse o desafio de Alberto Afonso, cuja experiência literária se resumia até então à poesia. Além do seu pedido de apoio, também havia a responsabilidade de honrar os compromissos assumidos pela SCALA perante a Junta de Freguesia de Cacilhas, editora e proponente da obra.

Hoje, à distância de seis anos, sinto que esta minha colaboração no enriquecimento da história local, foi feita sobretudo pela amizade que me unia (e une) a Alberto Afonso e a Idalina Alves Rebelo, filha do biografado.

Trata-se da história de um jovem operário que chega a mestre geral dos estaleiros "Parry & Son" e a comandante dos Bombeiros Voluntários de Cacilhas, onde desenvolveu um trabalho humanitário notável. No últimos anos da sua vida ainda conseguiu reunir as suas memórias em duas obras de grande valor histórico, pelos acontecimentos que nos são relatados com grande rigor. Falo de "Cacilhas dos Tempos Idos" e de "Almada Terra Nossa".

segunda-feira, 31 de outubro de 2011

Os Livros que Não Teria Escrito se... (1)


Se a Junta de Freguesia de Cacilhas não tivesse proposto a realização de um protocolo literário com a SCALA - Sociedade Cultural de Artes e Letras de Almada, não teria escrito quatro livros sobre a Localidade Ribeirinha.


O primeiro foi a biografia, "José Elias Garcia - Esboço Biográfico", editado em 2005.

Depois do desafio, faltava escrever a obra. Foi então que Abrantes Raposo me convidou para escrever a obra em parceria. Aceitei e aprendi muito. Até sobre a ingratidão das pessoas, que acham que o facto de se possuir uma boa biblioteca é suficiente para se escrever livros...

Mas o mais importante mesmo foi descobrir quem foi Elias Garcia, sobre quem não havia qualquer obra escrita, o que nos obrigou a um trabalho mais criterioso e objectivo.

E para quem não sabe, Elias Garcia foi uma das principais figuras do republicanismo da segunda metade do século XIX, tendo sido inclusive eleito deputado para dois mandatos, sendo também vereador do Município de Lisboa, onde teve um papel decisivo na educação, com a abertura das primeiras duas escolas primárias públicas na Capital.

Maçónico do GOL, foi seu grande mestre na década de oitenta do século dezanove.

E claro, era natural de Cacilhas.

domingo, 4 de setembro de 2011

Os Livros, Desafio e Paixão


1 - Existe um livro que relerias várias vezes?
Existem vários livros. Mas gosto de reler sobretudo poesia. Fernando Pessoa, Sophia ou Zé Gomes Ferreira, são autores de sempre…

2 - Existe algum livro que começaste a ler, paraste, recomeçaste, tentaste e tentaste e nunca conseguiste ler até ao fim?
Não. Dantes lia tudo até ao fim, mesmo aqueles livros chatos, por teimosia e dedicação à leitura. Hoje quando um livro me começa a chatear, coloco-o logo de lado.

3 - Se escolhesses um livro para ler no resto da tua vida, qual seria?
Não sei. Penso que preferia passar o resto da minha vida a olhar, a recordar, a escrever que a ler.

4 - Que livro gostarias de ter lido mas que, por algum motivo, nunca leste?
Vários. Recordo dois, que estão na estante há mais de dez anos. “O Ano da Morte de Ricardo Reis”, de Saramago e o “Fado Alexandrino”, do Lobo Antunes. Não acho muita piada aos livros de quinhentas páginas…

5 - Que livro leste cuja «cena final» jamais conseguiste esquecer?
Nenhum. Raramente memorizo cenas.

6 - Tinhas o hábito de ler quando eras criança? Se lias, qual o tipo de leitura?
Tinha. Lia sobretudo banda desenhada. Os “livros sem bonecos” não abundavam lá em casa…

7 - Qual o livro que achaste chato, mas ainda assim leste até ao fim? Porquê?
Não digo… mas são vários.

8 - Indica alguns dos teus livros preferidos.

Tenho um hábito, quando gosto de livro, tento ler todos os que posso dos seus autores, ao ponto de ler quase toda a sua obra. Por isso prefiro falar de autores preferidos: Camilo Castelo Branco, Aquilino Ribeiro, Miguel Torga, Ernest Hemingway, John Steinbeck, Luís Sepúlveda, José Cardoso Pires. Vou referir dois livros que também gostei muito, porque não tiveram continuidade, “O Que Diz Molero “, de Dinis Machado e “Sinais de Fogo, de Jorge de Sena.
Por exemplo, agora estou a gostar de conhecer J. Rentes de Carvalho.

9 – Que livros estás a ler?
Estou a começar a ler, “Os Lindos Braços da Júlia da Farmácia”, de J. Rentes de Carvalho.

A décima pergunta era para desafiar dez leitores a responderem a este inquérito.


Desafio desde já todos os comentadores que quiserem, a responder ao desafio, que me foi colocado pela Isamar.


O óleo é de Michael Garmash.

domingo, 7 de agosto de 2011

palavras ao tejo


Tenho escrito vários poemas, quase todos motivados por circunstâncias especiais, homenagens a amigos ou a lugares. "O Teu Mundo" é a homenagem a uma amiga especial, poeta e pintora, que nos deixou em 2008 e que tento retratar neste poema:



O Teu Mundo

O teu mundo tem quase tudo,
O perfume do rio e do mar,
As cores do campo e da serra
E claro, os sons de encantar

O teu mundo tem quase tudo,
O sonho, a poesia, a paixão,
A alegria, a cor, o amor,
A arte a história e a ilusão

Gosto muito do teu mundo e da tua cidade,
Onde se dá tanto sem se esperar nada,
Onde todos conseguimos sorrir de saudade

Gosto muito do teu mundo, da tua cidade,
Onde se sente em cada esquina, em cada rua,
O perfume da tolerância e da generosidade.


Luís Milheiro




Até que decidi reuni-los num pequeno caderno, a que dei o nome de "palavras ao tejo", editado no final de 2008.

sábado, 9 de julho de 2011

A Biografia de Dois Grandes Campeões


Não tenho dado a este espaço a atenção que devia (já sabia que ia ser assim, por isso é que tardei a sua criação...).


Sinto que é muito mais estranho termos um espaço, apenas para falarmos de nós, a não ser que tenhamos um ego do tamanho de um comboio (coisa que não tenho e da qual não me chateio nada...).

Hoje deixo por aqui a capa do livro biográfico, "Francisco Bastos, António Calado e a JACA", que entre outras coisas, é um livro de amizade, pois sempre senti que devia fazer algo pela memória destes dois amigos, que foram grandes atletas nos anos trinta e quarenta e que ainda tive a oportunidade de conhecer e ouvir muitas das suas histórias contadas na primeira pessoa.

Como percebi que a "cidade culta" os ignorava, transportei-os para a realidade, graças ao apoio da Junta de Freguesia de Almada, que editou a obra, e dos seus familiares, que além de fotografias me confirmaram muitos factos (alterando outros que apenas conhecia pela rama, em nome do rigor histórico...).

Embora este livro - que muito me orgulha, até por me ter recordado a minha infância, cheia de "correrias" no Arneirense, tal como a malta da JACA em Almada -, esteja longe de ser uma referência da vida de Almada, não deixa de ter interesse para quem se interessa por desporto e pela vida das pessoas nos anos trinta e quarenta do século passado.

segunda-feira, 13 de junho de 2011

Pessoa


Tantos retratos inacabados
Nas profundezas de um copo vazio
Na procura incessante um rosto certo,
Tanto podias ser Alberto,
Bernardo, Ricardo, Álvaro
Ou outro sujeito qualquer
Nunca Fernando!
Porquê, Pessoa?


(poema da minha autoria publicado no nº 30 da série de cadernos de poemas, "Index Poesis, Uma Dúzia de Poemas")


O óleo é de Luiza Caetano.

sábado, 28 de maio de 2011

Entre Linhas... Sobre "Um Café com Sabor Diferente"


Este é um livro, como o próprio autor indica logo na capa da sua obra, de «estórias de pessoas e lugares de Almada». Todavia, para mim que o acabei de ler, esta colectânea de pequenos contos é, sobretudo, um conjunto de notáveis «retratos humanizados da vida de uma cidade».
Luís Milheiro relata-nos, numa escrita simples e acessível, desprovida de artificialismo, episódios do quotidiano de pessoas comuns, cujos sentimentos expõe de forma clara, apresentando-nos uma visão do mundo balizada por princípios e valores que demonstram o seu carácter sensível e a extraordinária capacidade para comunicar com os leitores.
Desde o escritor que considera que o mais chato da vida é «não nos conseguirmos alimentar dos nossos sonhos» (Fábrica de Pessoas), ao estudante apaixonado que continua a acreditar «numa sociedade mais justa, em direitos e oportunidades» (Um Amor Impossível), passando pelo jogador que «quando é derrubado à margem das leis do jogo, levanta-se sem olhar os adversários desleais» (O Efeito de Arquimedes), sem esquecer a inesquecível figura do homem que declamava poesia pelas ruas (A Carroça dos Poetas), do artista que «fez da vida um autêntico manifesto cultural, sempre fiel a quatro coisas: o surrealismo, o anarquismo, a mulher e os amigos» (Um Café com Sabor Diferente), ou do «único sobrevivente do velho “Clube de Poetas do Ginjal”, que se reunia rente ao Tejo onde “pescavam” palavras» (O Marcador de Livros), esta é uma galeria de factos e comportamentos imaginados fiéis, na sua essência, à realidade, que nos obrigam a reflectir sobre uma série de questões pertinentes na sociedade de hoje.
Através de uma linguagem intimista, assente numa estrutura narrativa sintética e coerente, utilizando como cenário o espaço geográfico local, Luís Milheiro consegue criar uma interactividade que nos transforma em peças dinâmicas de cada uma das suas histórias, muitas das quais deixam em nós a sensação de estarmos a partilhar vivências reais que a memória do autor terá, ou talvez não, ficcionado. A empatia é tal que, por vezes, julgamos serem nossas as suas lembranças... e quase acreditamos que, por conhecer os lugares descritos, aquelas pessoas fazem parte do nosso imaginário.
Mas esta obra tem, ainda, uma outra valência que considero muito importante... desperta em nós uma vontade imensa de ir passear a pé pelas ruas de Almada, Cacilhas e Cova da Piedade, na tentativa de descobrir a “janela mágica” por onde o Luís Milheiro espreitou para conseguir captar as emoções de cada local (A Rua Direita).
Este “café” que o Luís Milheiro nos oferece é, pois, uma agradável surpresa. Além da vantagem de não esfriar tem, efectivamente, um “sabor diferente” que resulta da dose certa entre a realidade e a ficção... por isso, vale a pena lê-lo.

Texto da autoria de Ermelinda Toscano, publicado no "O Scala", nº 30, Verão de 2004.