sexta-feira, 18 de maio de 2018

Ainda "Os Passeios Mágicos" com o Romeu


Dos poemas que escrevi ao Romeu Correia, deste caderninho, este é dos que mais gosto:


os passeios mágicos
  
há tanto por contar
nem sei como hei-de começar

quando viajo dentro do passado
recordo algumas coisas que descobri
quando caminhava a teu lado
e percorria os lugares
que trazias dentro de ti

era como se viajássemos de barca
pelo leito do rio da memória
fixando o olhar nas margens
e apontando o dedo
aos imensos casarios com história

sorrio e continuo a sentir
que o melhor das nossas viagens
era quando te tornavas teatral
e pintavas as pessoas como personagens
oferecendo-lhes um brilho especial

há tanto por contar
nem sei como hei-de começar

Luís [Alves] Milheiro

segunda-feira, 26 de fevereiro de 2018

"A Quase Opereta de um Amor que Ganhou Pernas Asas e Fugiu"


Quando inaugurei a minha exposição de fotografia, "Arte com História e com Gente", na sede/ Galeria da SCALA, em Almada, aproveitei para lançar dois cadernos de poesia (embora hoje seja fino de "plaquettes" eu chamo-lhes "cadernos de cordel sem corda"...).

Já falei da "Praça Miguel Bombarda" e agora vou falar deste outro caderno...

É a história de uma separação de um amor louco, como normalmente são as paixões e foi inspirado num filme (isto passou-se há um ano...). Depois de escrever esta "quase opereta amorosa" pedi à Sofia Carita para a ilustrar - que fez muito bem... - e só este ano é que resolvi transformá-lo em mais um caderno de poemas...

O mais curioso, foi as duas edições curtas terem esgotado logo nas apresentações...

sábado, 17 de fevereiro de 2018

A "Praça Miguel Bombarda"


Por que este é (ou devia ser...) o blogue mais biográfico no campo das literaturas, apresento aqui, em primeira mão, o poema que dá título ao caderno de poemas que vou apresentar logo à tarde, depois da inauguração da exposição de fotografia, "Arte com Histórias e com Gente".

praça miguel bombarda

é aqui na praça
que nos encontramos

é aqui na praça
que sorrimos
que brincamos
e que nos amamos

e como eu gosto de me cruzar
com esta gente importante
que adora imaginar…

saem dos livros das estantes
e dão vida aos esquecidos
com histórias mirabolantes
que de tão belas e inesperadas
conseguem honrar a memória
dos desaparecidos


segunda-feira, 22 de janeiro de 2018

"Gena: Olhares com Memória"


Fiz nove poemas para ilustrar nove fotografias de Gena Souza.

Este é um deles (e a imagem...)




tu que remendas redes
quase escondido do mar

são tantas as saudades
que sentes

da tua outra vida…
eu sou quase teu irmão.

quinta-feira, 30 de novembro de 2017

"Romeu Correia entre palavras, olhares e sonhos"


A exposição, Romeu Correia entre palavras, olhares e sonhos", que organizámos na sede da SCALA (entre 11 e 29 de Novembro) foi um êxito.

Todos aqueles a visitaram teceram os maiores elogios. Houve inclusive o interesse por parte de três instituições (duas escolas e uma associação), para que ela se tornasse "itinerante". A ver vamos...

sábado, 18 de novembro de 2017

O número dois do "romeo"...


Já saiu o número dois do fanzine "romeu".

O Título é "romeu correia, escritor de almada (e do mundo, claro...)".

Tem textos e poemas de Luís Milheiro, Orlando Laranjeiro, Joana Cruz, Inês Carvalho e Rita S. Rodrigues.

quarta-feira, 15 de novembro de 2017

"Passeio Mágico com Romeu Correia"


Este é o poema da contracapa do meu livro, "Passeio Mágico com Romeu Correia", também ele de homenagem a Romeu...

Regresso ao Ginjal
  
Mesmo com o Sábado Sem Sol,
Não escondeu a emoção,
No regresso ao Cais do Ginjal...

Saiu do Alfa-Romeo
E deu Um Passo em Frente,
Com as mãos escondidas
No Casaco de Fogo.

Assim que espreitou o Ginjal
Recordou quase tudo,
De uma infância livre e feliz:
Dos primeiros jogos do Desporto-Rei,
Dos passeios de Jangada pelo rio,
Dos espectáculos de Bonecos de Luz,
Das oficinas dos Tanoeiros,
E claro, dos primeiros amores...
Sim, lembrou-se da Roberta,
Mas principalmente da Laurinda,
O seu Amor de Perdição,
A quem chamava: «O Céu da Minha Rua».

Mas também se lembrou de outras
Personagens inesquecíveis.
Era impossível esquecer
O José Bento Pessoa,
Fadista do Trapo Azul
E contador de histórias do Bocage
Ou o Jorge Vieira, conhecido
Como o Vagabundo das Mãos de Ouro,
Por transformar qualquer objecto perdido,
Numa obra de arte.

Os olhos estavam mais brilhantes
Que nunca, neste regresso a casa,
Cansado da sua vida de
Andarilho das Sete Partidas...

                                                    Luís [Alves] Milheiro

domingo, 6 de agosto de 2017

Mário Fernandes (1917 - 2017)


Fiz um pequeno caderno com a intervenção de homenagem a Mário Fernandes, de Orlando Laranjeiro, e também com um poema que escrevi, na passagem do centenário do seu nascimento.

Mário Fernandes foi uma grande figura do associativismo e da cultura almadense.


Apanágio de um Bom Presságio

Eu não sou saudosista
mas gosto de viajar no tempo
ver a minha vida passada em revista
e parar num ou outro momento

Encontro amigos que já partiram
revivo tantos acontecimentos especiais
que todos os da minha geração sentiram
mesmo que na época, fossem coisas normais

Era um tempo muito diferente
as colectividades eram escolas
Os dirigentes mestres e professores
e até a liberdade, imaginem só, estava presente…

Existiam homens de acção e da palavra
que inspiravam quem os via e ouvia
e que gravavam uma ou outra, rara
para as repetirem em dias de euforia

Mário Fernandes era um desses homens
é por isso que o homenageamos
por tudo o que nos deu
Até vos dou um exemplo:
foi Mário Fernandes que ofereceu o “apanágio”
ao Orlando, que nunca mais o esqueceu
E hoje, num bom presságio
recordamos aqui muito do que ele viveu.

Luís [Alves] Milheiro)

(Escrito para ser declamado por Francisco Gonçalves, a pensar na sua generosa geração, que conheceu Mário Fernandes…)

sexta-feira, 31 de março de 2017

O "romeo"


Além de ter criado um blogue de homenagem a Romeu Correia, o Grande Escritor de Almada, no ano do centenário do seu nascimento, também publiquei um fanzine (já saiu o número um), "romeo", onde procuro publicar textos e poemas inéditos sobre esta grande figura da literatura local.

Publiquei um texto e um poema da minha autoria. E contei com as preciosas colaborações de Clara Mestre, Edite S. Conceixa, Elisa Araújo, Fernando Barão, José do Carmo Francisco e Orlando Laranjeiro.